Estatisticas

Glossário

  • A

    Acidentes de Trabalho

    Qualquer acidente inesperado e imprevisto do qual resulte uma lesão corporal, uma doença ou a própria morte. Aqui incluem-se também os acidentes de viagem, de transporte ou de circulação – isto é, todos aqueles que acontecem no decurso de deslocamentos feitos no âmbito da atividade profissional. Exemplos de acidentes de trabalho são as quedas na construção civil ou queimaduras em instalações industriais

    Análise SWOT

    O termo SWOT é um acrónimo para as palavras inglesas Strengths, Weaknesses, Opportunities e Threats (forças, fraquezas, oportunidades, ameaças). A análise SWOT é uma ferramenta que põe em evidência os pontos fortes e fracos de cada organização relativamente à sua concorrência, bem como as circunstâncias externas que condicionam o meio ambiente em que aquele se move. Assim, este instrumento permite às organizações analisar cenários e antecipar problemas, tomando decisões de gestão mais informadas e fazendo um planeamento estratégico mais rigoroso. A análise SWOT é vulgarmente utilizada por empresas, embora possa ser potencialmente utilizada por qualquer organização que atue num meio concorrencial (mesmo que não tenha como objetivo prioritário a maximização do lucro).

    Ativo

    O ativo de uma empresa corresponde ao conjunto de bens e direitos de que ela dispõe, e que constituem a totalidade dos recursos que podem ser postos ao serviço da sua atividade empresarial. Esta rubrica inclui um conjunto variadíssimo de itens: desde numerário em caixa a depósitos bancários, passando pelas dívidas a receber, bens em stock (inventários), edifícios, equipamentos, patentes ou marcas. É, de certa forma, uma medida – mesmo que parcial – da situação patrimonial da empresa. Um exemplo concreto: se no caso das empresas industriais o seu ativo corresponde sobretudo a instalações e maquinaria, no caso de empresas ligadas às artes os seus ativos dizem respeito a itens como direitos sobre originais artísticos (filmes, músicas, etc.). No caso ainda mais específico do setor financeiro, os ativos são, na sua maioria, títulos financeiros (como empréstimos a famílias ou obrigações de empresas). 

  • B

    Balanço / Balanço da Empresa

    O Balanço de uma empresa fornece uma visão panorâmica dos direitos da empresa (que correspondem ao Ativo) e das suas responsabilidades (que correspondem ao Passivo). A diferença entre um e o outro corresponde ao volume de Capitais próprios da empresa – quando este indicador cai abaixo de zero, considera-se que a empresa está tecnicamente falida. Nesse sentido, o Balanço constitui um instrumento muito importante para avaliar a situação patrimonial e financeira das empresas. 

  • C

    CAE – Classificação portuguesa das Atividades Económicas

    O CAE é uma grelha classificativa que permite enquadrar as várias atividades económicas num conjunto mutuamente exclusivo de categorias. Este esquema tem uma estrutura de taxonomia em árvore: começa com grandes agregados, altamente abrangentes (“secções”, que vão da “A” à “U”), e começa, a partir daí, a dividir-se em subcategorias cada vez mais finas (“Divisão”, “Grupo” e “Classe”). Qualquer empresa, ou empresário individual, tem de estar enquadrado algures nesta grelha. As CAE são utilizadas não só para fins estatísticos, mas também para ajudar a máquina fiscal a implementar políticas de impostos diferenciadas por setor de atividade.

    Capitais próprios

    Em termos contabilísticos, os capitais próprios representam a diferença entre os ativos e os passivos da empresa. Assim, são uma medida da sua situação patrimonial líquida. Dizem-nos qual a riqueza de que os acionistas da empresa poderiam dispor depois de liquidarem todas as dívidas e responsabilidades para com terceiros. Os capitais próprios são constituídos de duas formas: através das injeções de capital dos próprios acionistas (seja no momento de constituição da sociedade, seja em momentos posteriores) e através da geração de resultados positivos mediante a atividade operacional da empresa. Quando os capitais próprios atingem um valor negativo diz-se que a empresa está numa situação de falência técnica.

    Capital Social

    O capital social compreende os fundos injetados inicialmente na empresa pelos seus sócios ou proprietários, numa altura em que esta ainda não dispõe de meios (ou que é capaz de gerar resultados) para se financiar a si própria. Para além disto, o capital social inclui também todos os aumentos de capital subsequentes, realizados pelos sócios. O capital social é, assim, uma forma de financiamento da empresa, que determina os direitos de voto de cada sócio e a respetiva repartição de lucros. 

    Certificação de qualidade

    A certificação de qualidade é o processo através do qual uma entidade independente avalia os produtos ou serviços de uma empresa, ou os próprios processos produtivos que estão na sua base. A certificação incide sobre o cumprimento de um conjunto de normas ou especificações standard – normalmente padronizadas a nível internacional. No caso de a avaliação ser positiva, é emitido um certificado público a confirmar esse facto. A utilidade do certificado é fácil de perceber: a certificação permite à própria empresa comprovar, junto de terceiros (fornecedores, clientes, etc.), a qualidade dos seus produtos, bens ou processos produtivos.

    Conselho de Administração

    É um órgão social das Sociedades Anónimas, cuja existência é obrigatória por lei, e que tem como função supervisionar as atividades da organização, a par do Conselho Fiscal. O Conselho de Administração tem amplos poderes sobre qualquer assunto relativo à administração da sociedade, e pode deliberar sobre questões tão relevantes como a convocação de Assembleias-Gerais, prestação de cauções e garantias, abertura e encerramento de estabelecimentos, alargamento (ou redução) da atividade da empresa, mudança da sede, aumentos de capital e projetos de fusão, entre outros. Os administradores podem ser designados através do contrato da Sociedade, ou eleitos pela Assembleia-Geral (órgão que reúne os acionistas), por um período determinado de tempo.

    Contabilidade organizada

    Os regimes de contabilidade dizem respeito às regras e responsabilidades que as empresas ou empresários individuais têm de cumprir na sua relação com o fisco. Este regime é um dos dois regimes que existem em Portugal – e que, como o nome indica, é mais complexo do que o regime de Contabilidade Simplificada. Ele tem uma carga mais elevada de burocracia associada, bem como um montante de custos superior (a título de exemplo, a contabilidade tem de ser verificada por um Técnico Oficial de Contas). Por outro lado, também permite um apuramento do lucro mais rigoroso, o que leva a uma tributação mais eficaz e adaptada às circunstâncias específicas da empresa. Entre outras vantagens, este regime permite deduzir ao lucro tributável uma série de despesas incorridas no decurso da atividade – uma possibilidade inexistente no caso da Contabilidade Simplificada. O regime de Contabilidade Organizada é obrigatório para todas as empresas constituídas sob a forma de Sociedades e para os trabalhadores independentes ou Empresários em Nome Individual que declarem um volume de negócios superior a 200.000 euros/ano.

    Contabilidade simplificada

    Como o nome indica, este é um regime contabilístico simplificado, que está disponível para alguns sujeitos passivos que exerçam atividade que, pela sua natureza ou dimensão, não justifique os custos associados à Contabilidade Organizada. Este regime impõe muito menos obrigações declarativas, tem muito menos custos (por exemplo, não é preciso contratar um Técnico Oficial de Contas) e é mais expedito do ponto de vista da adesão e simples no que diz respeito à operacionalização. A Autoridade Tributária simplesmente assume que uma determinada fração dos valores faturados correspondem a custos, e tributa o remanescente de acordo com as regras fiscais em vigor – sem que haja necessidade de identificar as despesas incorridas ou criar sistemas de contabilidade complexos. Obviamente, este regime também permite menos graus de liberdade aos agentes económicos, que têm de se conformar aos parâmetros estandardizados deste regime.

  • E

    Empresário em nome individual

    É um dos regimes legais à disposição de quem quer iniciar uma atividade económica (sendo os outros, por exemplo, a criação de uma Sociedade Anónima, ou de uma Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada). O tranço distintivo deste regime é o facto de – ao contrário do que acontece com quem opta pela criação de uma sociedade – não haver lugar à criação de uma entidade jurídica própria para levar a cabo a atividade económica. Por exemplo, não há quaisquer exigências de capital social mínimo, porque o empresário é diretamente responsável pelas dívidas contraídas no decurso da sua atividade (e pode até, no limite, ter de entregar bens pessoais como penhor para regularizar dívidas). Não existindo separação entre o património pessoal e o património afeto à atividade empresarial, todos os rendimentos são tributados em sede de IRS, de uma forma que segue mais ou menos as regras semelhantes dos trabalhadores dependentes. Este regime tem pouca burocracia e permite um início de atividade expedito, mas obviamente é pouco útil para quem quer criar um negócio de grande dimensão. 

    Exportações

    A exportação consiste na venda de bens (ou serviços) ao estrangeiro. Considera-se consumada quando há transferência da propriedade económica dos bens dos residentes para os não residentes, independentemente de o movimento físico desses mesmos bens já ter sido concretizado. Note-se ainda que as despesas feitas pelos turistas estrangeiros em Portugal são, para efeitos contabilísticos, consideradas como uma exportação – no caso concreto, são consideradas exportações de Serviços, uma vez que representam a prestação de serviços a agentes económicos estrangeiros, mesmo que prestados em solo nacional.

  • F

    Financiamento

    As empresas precisam de fundos para cobrir as suas despesas: comprar matérias-primas, pagar salários, adquirir equipamentos, etc. O financiamento é o processo de obtenção destes fundos. Há várias formas de o fazer. As empresas podem recorrer ao capital social de que os seus acionistas as dotaram inicialmente, por exemplo, e recorrer, a partir daí, aos lucros realizados com a atividade operacional normal – isto é o que se chama financiamento interno, ou autofinanciamento. Mas também podem pedir crédito bancário a instituições financeiras ou emitir títulos de dívida (como obrigações ou papel comercial) nos mercados financeiros. Neste caso, o financiamento é externo, porque é garantido por uma entidade que não a atividade da própria empresa ou o dinheiro dos seus acionistas. 

    Formação Bruta de Capital Fixo / Investimento

    A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) designa, de forma genérica, todos os ativos que contribuem, de forma mais ou menos prolongada, para o processo produtivo. Aqui incluem-se, por exemplo, edifícios empresariais, instalações industriais, máquinas e outros equipamentos, software informático ou material de transporte – todos estes bens são, ou podem ser, utilizados para produzir novos bens e serviços. Há dois grandes critérios para demarcar a FBCF e distingui-la de outros. Em primeiro lugar, os ativos em causa devem ser utilizados no processo produtivo, e não para fins de consumo. Este critério exclui da FBCF ativos como veículos familiares, que, ao contrário dos veículos comerciais, não têm um fim produtivo. Em segundo lugar, os ativos devem ter um prazo de vida superior a um ano. Por esta razão, matérias-primas e outras despesas correntes, que se esgotam no momento em que são incorporadas no processo produtivo, não são consideradas como FBCF.

  • G

    Governance

    A Governance, também conhecida como o ‘governo das sociedades’ (ou ainda ‘governo das empresas’) representa o conjunto de procedimentos, processos, costumes e regulamentos através dos quais a organização é controlada. Podemos dizer que é um conjunto de ‘práticas’ – que se esperam boas e virtuosas – que, de forma mais ou menos explícita, clarificam o papel de cada membro ou órgão da organização (como o Conselho de Administração ou o Conselho Fiscal, por exemplo). Uma boa governance cria uma estrutura de pesos e contrapesos que impede que a sociedade fique cativa de um único homem ou refém de um órgão; assegura a defesa dos direitos fundamentais dos acionistas; garante que outros stakeholders (como trabalhadores ou credores) têm razões para confiar na empresa; obriga a um nível mínimo de divulgação de informação, de maneira a assegurar a transparência; e, de forma mais geral, assegura a existência de pilares institucionais sólidos que sustentem de forma segura e confiável a atividade económica da sociedade. A este respeito, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) emite anualmente um conjunto de boas práticas de governance para as sociedades cotadas. 

    Grandes empresas

    As grandes empresas são todas aquelas que não cumprem os critérios para serem consideradas Pequenas e Médias Empresas – PME. As empresas são consideradas grandes empresas sempre que empreguem pelo menos 250 pessoas, tenham um volume de negócios superior a 50 milhões de euros ou um balanço total anual de pelo menos 43 milhões de euros. A classificação de “grande empresa” é atribuída sempre que uma destas condições estiver preenchida.

  • I

    Importações

    A importação consiste na compra de bens (ou serviços) ao estrangeiro. Considera-se consumada quando há transferência da propriedade económica dos bens dos não residentes para os residentes, independentemente de o movimento físico desses mesmos bens já ter sido concretizado. Note-se ainda que as despesas feitas pelos turistas portugueses no estrangeiro são, para efeitos contabilísticos, consideradas como uma importação. 

    Inovação

    O processo de inovação consiste em criar algo novo que ainda não existia. No contexto empresarial, o processo implica não apenas o processo criativo inicial (“ter uma ideia”), mas também uma etapa subsequente, na qual a nova ideia é transformada num produto ou serviço que ainda não estava disponível no mercado – e que corresponde, na prática, à monetização da ideia. A inovação pode resultar na criação de novos produtos, como igualmente na implementação de novos modelos de negócio, que até aí não existiam. Neste sentido, as plataformas da economia da partilha (como a Uber, por exemplo) estão a inovar, mesmo que não produzam algo tangível como a Microsoft (programas de computador) ou a Apple (gadgets). A Investigação & Desenvolvimento é um dos vários processos através dos quais as empresas podem inovar. 

    Investigação & Desenvolvimento

    A Investigação & Desenvolvimento (I&D) corresponde a trabalho criativo, feito de forma sistemática, com o objetivo de ampliar o conjunto de conhecimentos existentes e/ou a utilização desses conhecimentos em aplicações concretas. Na prática, engloba um conjunto vasto de atividades, que vão desde a investigação científica fundamental (compreensão de alguns fenómenos naturais “fundamentais”, sem qualquer aplicação em vista) à investigação aplicada (investigação dirigida a um propósito prático concreto), passando pelo desenvolvimento experimental (experiências práticas com o propósito de produzir novos materiais, produtos ou serviços, ou criar novos processos). 

  • L

    Lucros reinvestidos

    Os lucros reinvestidos correspondem à parte dos lucros de uma empresa que permanecem na empresa para serem reinvestidos, em vez de serem distribuídos aos acionistas sob a forma de dividendos. Desta forma, uma parte dos recursos gerados que ficam dentro da própria empresa, podem ser usados de várias formas: aumentar o investimento, abater a dívida, etc. O reinvestimento dos lucros é uma maneira de as empresas se capitalizarem sem ‘obrigar’ os atuais acionistas a injetar mais dinheiro (ou sem precisarem de recolher capital junto de novos acionistas, o que diluiria a importância da estrutura acionista inicial). 

  • M

    Metas e objetivos

    Tanto os objetivos como as metas representam alvos específicos, ou pontos concretos onde as organizações ou sociedades desejam chegar. A diferença entre uns e outros está no grau de especificidade e concretização quantitativa que lhes estão associados. Por exemplo, em termos financeiros uma empresa pode querer controlar os custos com pessoal, um objetivo ao qual está associada uma meta específica (exemplo: reduzir a fatura com salários e contribuições sociais em 5% num determinado ano). Tanto as metas como os objetivos são os últimos elos de uma longa cadeia de processos que determinam o funcionamento da empresa, e que tem no outro extremo documentos de ordem mais geral e abstrata, como o Plano Operacional ou o Plano Estratégico. 

    Microempresas

    As microempresas são uma subcategoria dentro das PME, que se distingue das restantes devido à sua reduzida dimensão. Estas microempresas cumprem cumulativamente duas condições: têm menos de 10 trabalhadores a cargo e apresentam um volume de negócios anual (ou ativo total líquido) que não excede os 2 milhões de euros. No contexto português, representam a esmagadora maioria das sociedades.

    Modelo de Negócio

    O modelo de negócio de uma empresa descreve, em traços gerais, a ideia principal que lhe permite gerar valor – ou seja, produzir bens e serviços úteis aos seus clientes e remunerar os acionistas. O que é que a empresa produz? De que forma é que essa produção se distingue da concorrência? Como é que os produtos são levados até esse público? Em que destinos são vendidos? O modelo de negócio deve responder a todas estas perguntas. O objetivo é que no final seja capaz de explicar, mesmo que apenas em traços largos, como é que a ideia original é transformada numa ideia que permite gerar dinheiro e alimentar um negócio à sua volta. Um modelo de negócio é importante porque muitas vezes não chega ‘ter boas ideias’. É preciso garantir que elas podem ser encaixadas num processo mais vasto de monetização. 

    Morte de Empresas

    A morte de uma Empresa corresponde à cessação da sua atividade. Considera-se que a atividade cessa uma vez verificada a dissolução de uma combinação de fatores de produção. Excluem-se desta definição todos os casos em que a cessação de atividade resulte de fusões, aquisições, reestruturações ou outras situações semelhantes.

  • N

    Nascimento de Empresas

    O nascimento de uma empresa corresponde à criação de uma combinação de fatores de produção, desde que não haja outras empresas envolvidas. Isto é, excluem-se os casos que resultem de fusões, aquisições ou outras situações semelhantes.

  • O

    Orçamento

    O orçamento é um documento financeiro da empresa, que especifica com algum detalhe o plano de despesas a fazer e de receitas a arrecadar para um determinado período de tempo (habitualmente um ano). Assim, o orçamento é uma estimativa prévia dos principais fluxos financeiros da empresa – refletindo, presume-se, uma estimativa tão rigorosa quanto possível das condições que vão prevalecer no futuro, e que afetam os dois lados da equação: salários, preço de matérias-primas e taxas de juro, no caso das despesas; procura global dos clientes, ganhos de quota de mercado e rendimentos de eventuais aplicações financeiras, no caso das receitas. É, por isso, um instrumento essencial para planear o exercício seguinte.

  • P

    Passivo

    O passivo compreende todas as obrigações financeiras da empresa para com entidades externas (excluindo-se, portanto, as obrigações para com os seus sócios ou acionistas). Corresponde, na prática, a um conjunto alargado de responsabilidades, como empréstimos contraídos junto da banca, créditos concedidos por fornecedores (dívida comercial), títulos de dívida (obrigações, por exemplo) ou impostos em atraso.

    Passivo de curto prazo

    O passivo compreende o conjunto de obrigações financeiras da empresa para com outras entidades, que não os seus sócios e/ou acionistas. A componente de curto prazo, por sua vez, representa as responsabilidades que têm de ser liquidadas num prazo inferior ou igual a um ano. Aqui incluem-se, por exemplo, as dívidas a fornecedores, letras a pagar, dívidas correntes ao Estado (IVA, por exemplo), adiantamentos de clientes, etc. 

    Passivo de médio/longo prazo

    O passivo de médio/longo prazo inclui todas as responsabilidades que apenas têm de ser liquidadas num prazo superior a um ano. Esta rubrica inclui, por exemplo, obrigações ou crédito bancário, desde que a maturidade ultrapasse os 365 dias, passivos por impostos diferidos, provisões, etc. O critério de demarcação é, como o nome indica, estritamente temporal. 

    Patente

    As patentes são direitos exclusivos de exploração de uma nova ideia ou técnica de produção. São atribuídas pelo Estado a empresas que tenham criado soluções inovadoras para problemas técnicos específicos. O registo de uma patente tem de ser pago pelo requerente, o que ajuda a moderar o recurso a esta figura legal. Uma vez concedida, esta permite à empresa beneficiária explorar em regime de exclusividade as suas inovações, garantindo por esta via que as empresas concorrentes não se limitam a copiar as ideias alheias – um comportamento que, se não for impedido, pode eliminar os incentivos à inovação. Podem obter-se patentes para quaisquer invenções em todos os domínios da tecnologia, quer se trate de produtos ou processos, bem como para os processos novos de obtenção de produtos, substâncias ou composições já conhecidas. 

    Pequenas e Médias Empresas

    O conceito de PME designa um conjunto de empresas que cumprem simultaneamente duas condições: uma ligada à dimensão da força de trabalho e outra relacionada com o seu peso económico. A primeira condição é empregarem menos de 250 pessoas; a segunda condição é terem um volume de negócios até 50 milhões de euros, ou um balanço total anual igual ou inferior a 43 milhões de euros. Assim, basta uma empresa falhar um destes dois critérios para que seja automaticamente excluída da categoria de PME’s. Por exemplo, uma empresa com poucos trabalhadores não será considerada uma PME se tiver um volume de negócios muito elevado. Note-se que, segundo esta definição, proposta pela Comissão Europeia (Recomendação 2006/361), o conceito de ‘PME’ abrange na verdade uma série de empresas que em bom rigor são consideradas “microempresas”, e não “pequenas” ou “médias”.

    Plano Estratégico

    O Plano Estratégico de uma empresa é um documento que explana as principais linhas orientadoras da empresa, que a devem orientar num horizonte longo prazo. Ao contrário do Plano Operacional, que incide sobre questões mais práticas do dia a dia e da gestão corrente da empresa, o Plano Estratégico fornece um plano mais geral do papel que se espera que a empresa venha a desempenhar. O processo pode começar de uma forma dialética, em que se colocam questões genéricas (“Onde estamos?”, “Para onde vamos?”, “O que queremos ser”?) e passar depois para uma fase um pouco mais prática, onde se traçam os grandes objetivos para os anos seguintes (“Aumentar a satisfação dos clientes em X%”, “Redução de custos para Y”, “Tornar a marca uma das 10 mais conhecidas do país”, etc.). É nesta fase que técnicas como a análise SWOT são utilizadas. Sendo um plano de longo prazo (5-10 anos, normalmente), ele não pode obviamente ser muito específico, devendo antes elaborar traves-mestras que forneçam uma âncora para a ação estável e impermeável às pequenas mudanças de contexto.

    Plano Operacional

    O Plano Operacional de uma empresa é um dos elos da cadeia que compõe a gestão de uma empresa. Este tem um horizonte de curto prazo (em torno dos 6 meses, embora possa variar de caso para caso) e tem uma natureza muito mais concreta e específica do que o Plano Estratégico, que atua num plano de abstração mais alto. Ele deve responder a perguntas como: “Quem faz o quê?”, “Quando?”, “Quanto vai custar?”, “Que ferramentas podem ser usadas?”. Espera-se, assim, que que fixe metas, objetivos e deadlines rigorosos para cada pessoa ou departamento, de modo a tornar mais organizado o dia a dia da organização. Nesta etapa encontram-se, por exemplo, a análise de riscos e a criação de planos de contingência, a orçamentação de programas ou tarefas, etc. 

    Planos de sucessão

    Um plano de sucessão é um plano de “preparação do terreno” para o dia em que os trabalhadores que estão em posições de liderança abandonam a empresa ou mudam de funções. Este plano tenta antecipar os problemas que se irão colocar na altura, preparando um conjunto de procedimentos para minorar os seus impactos negativos e clarificando, desde logo, um conjunto de potenciais sucessores. O objetivo é que a transição se faça de forma tão suave e pacífica quanto possível, sem gerar disrupções na organização e sem que a mudança de pessoas se traduza numa mudança de rumo (assumindo, claro, que o rumo anterior é o desejado).

    Prazo médio de pagamento a fornecedores

    O prazo médio de pagamento a fornecedores dá uma indicação do tempo médio que os fornecedores de uma determinada empresa têm de esperar para receber o pagamento por um bem vendido ou serviço prestado. Uma empresa com um prazo médio de pagamento elevado demora muito tempo a saldar as suas dívidas comerciais – o que significa, na prática, que está a obter financiamento (um ‘empréstimo virtual’) junto dos seus fornecedores. Este prazo pode ser medido em várias unidades – dias, semanas, meses, etc. 

    Prazo médio de recebimentos

    O Prazo médio de recebimentos é um conceito que designa a mesma realidade do Prazo médio de pagamento a fornecedores, mas visto da perspetiva da empresa. Isto é, ele revela o tempo médio que a empresa tem de esperar para receber o pagamento pela venda de um bem ou pela prestação de um serviço. Prazos elevados significam que a empresa está a fazer um ‘empréstimo forçado’ aos seus clientes, uma vez que só recebe os pagamentos muito depois de concretizar a transação. 

    Produtividade

    A Produtividade é uma medida da eficiência produtiva de uma determinada unidade de análise (uma empresa, uma região, um país). Por norma, expressa-se como um rácio entre a produção total de uma dessas unidades e a quantidade de um fator produtivo. Em macroeconomia, por exemplo, a produtividade é habitualmente obtida através da divisão do Produto Interno Bruto pelo número de empregos, ou pelo número de horas trabalhadas a chamada “Produtividade aparente do trabalho”. 

    Produto Interno Bruto

    O Produto Interno Bruto (PIB) é a medida mais abrangente da criação de riqueza de uma economia, razão pela qual é habitualmente utilizado como métrica de avaliação da performance económica de um país. Ele corresponde à soma do valor acrescentado bruto de todos os setores de atividade do país, independentemente do seu grau de formalidade ou da sua natureza financeira. As atividades económicas levadas a cabo pelo Estado, por exemplo – como a prestação de serviços de saúde ou gestão de escolas públicas – não geram receitas porque são fornecidas gratuitamente ou a preços altamente subsidiados, mas ainda assim são incluídas no PIB. O PIB pode ser apurado através de três óticas diferentes. Para além da soma dos valores acrescentados (ótica da produção), é possível obtê-lo como a soma de todas as compras de bens e serviços finais feitas pelos agentes económicos portugueses (mais as exportações, menos as exportações – ótica da despesa) ou como a soma dos salários, rendas e lucros gerados no processo produtivo (ótica dos rendimentos). 

    Proposição de valor

    A proposição de valor, ou Proposta de Valor, designa o conjunto de atributos (percebidos ou reais, materiais ou mais etéreos) de um bem ou serviço que o tornam um objeto de desejo para os clientes. A Proposição de Valor pode ser vista como a resposta a três perguntas fundamentais: A que clientes se destina o produto? Que necessidades são satisfeitas? Qual é o preço a que o produto é vendido, de modo a tornar-se simultaneamente apetecível para os clientes e rentável para a empresa? Assim, podemos dizer que a Proposição de Valor está no coração do Modelo de Negócio da empresa.

    Propriedade intelectual

    A propriedade intelectual designa, de forma geral, todos os novos produtos, obras ou processos que podem conferir uma vantagem competitiva a quem os detiver. Aqui incluem-se um espetro muito extenso de criações, como invenções, marcas, criações literárias e artísticas, novas tecnologias, bases de dados, projetos de arquitetura, entre muitos outros itens. Todas estas criações produzem valor económico para os seus criadores, mas esse valor pode ser facilmente ‘expropriado’ por empresas ou indivíduos dispostos a copiar ou imitar essas criações originais. Para impedir estas cópias, a propriedade intelectual é protegida por direitos de propriedade intelectual, como as patentes, marcas ou direitos de autor. 

    Protocolo Familiar

    Um Protocolo Familiar é um acordo entre os vários membros de uma família que detêm uma empresa familiar. Este protocolo, que é formalizado por escrito, fixa um determinado ‘guia de conduta’ que orienta a relação dos membros da família com a empresa, e pode ser assinado não apenas pelos atuais proprietários da empresa mas também pelos seus futuros herdeiros. O objetivo é garantir patamares mínimos de profissionalismo e rigor, evitando que a informalidade que caracteriza as relações familiares acabe por contaminar o funcionamento da empresa, e assim pôr em perigo a sua viabilidade financeira, erodindo o património familiar.

  • R

    Rendimento Nacional Bruto

    O Rendimento Nacional Bruto (RNB) corresponde ao conjunto de Rendimentos Primários recebidos pelos agentes económicos nacionais: remunerações de empregados, impostos, lucros, juros, dividendos, etc. Se o PIB mede a produção que tem lugar num determinado território, o RNB diz-nos qual o rendimento de que os residentes nesse território dispõem. Na prática, o RNB corresponde ao PIB mais os rendimentos primários obtidos no estrangeiro, menos os rendimentos primários devidos a outros países. Por exemplo, os juros de um empréstimo feito a empresas portuguesas por um banco alemão não fazem parte do PIB alemão, porque não correspondem a nenhuma atividade produtiva concreta; mas são incluídos no RNB alemão, porque constituem uma parte do rendimento dos agentes económicos alemães. Na maioria dos casos, porém, o RNB tem aproximadamente a mesma dimensão do PIB. 

    Responsabilidade Social

    O conceito de responsabilidade social das empresas remete para uma dimensão que transcende aquele que é o objetivo primário (e muitas vezes único) das sociedades comerciais: gerar valor acrescentado para os clientes e, neste processo, rendimento para os acionistas. As empresas com responsabilidade social são aquelas que são guiadas por motivações mais abrangentes do que a mera maximização do lucro, integrando objetivos como a proteção do ambiente, os direitos dos consumidores, o crescimento sustentável e preocupações com os direitos humanos, entre outras. A existência de empresas com responsabilidade social beneficia por norma a sociedade em geral, mas há várias situações em que as próprias empresas podem tirar partido do facto de alargarem as suas preocupações. Por exemplo, há cada vez mais consumidores que optam comprar bens e serviços de empresas que aderem a ‘códigos de conduta’ mais restritos do que aquilo que é exigido pelo enquadramento legal dos países onde atuam. 

    Resultado Líquido

    O Resultado Líquido de uma empresa é a métrica mais abrangente para avaliar a sua capacidade de produzir resultados financeiros – que podem posteriormente ser usados para distribuir dividendos aos acionistas ou ser re-injetados na empresa. Ele corresponde à diferença entre todas as receitas e todas as despesas realizadas ao longo de um determinado período (habitualmente um ano). Por outras palavras, é a parte do rendimento operacional da empresa que não é absorvido pelos gastos operacionais, gastos com amortizações, gastos financeiros e impostos sobre o rendimento. 

  • S

    Sociedade unipessoal por quotas

    É um dos vários regimes jurídicos disponíveis para quem quer iniciar uma atividade económica (Sociedade Anónima, Sociedade por quotas de responsabilidade limitada ou Empresário em nome individual são outros exemplos). O traço distintivo de uma Sociedade unipessoal por quotas é que ela é detida por uma única pessoa, que responde de forma limitada pelas dívidas da empresa e apenas no montante do capital social inicial. Falamos, portanto, de uma empresa individual que, ao contrário das Sociedades Anónimas ou Sociedades por Quotas, tem um único proprietário, mas que, tal como estas últimas está vinculado ao Código das Sociedades Comerciais. O proprietário de uma Sociedade unipessoal também, se preferir, levar a cabo a sua atividade através de um regime mais simples, como Empresário em Nome Individual. 

    Sociedades anónimas (SA)

    É um dos vários regimes jurídicos disponíveis para quem quer iniciar uma atividade económica (Sociedade por quotas de responsabilidade limitada, Sociedade unipessoal por quotas ou Empresário em nome individual são outros exemplos). As sociedades anónimas só podem ser constituídas com um capital social mínimo de 50.000 euros e um número de sócios igual ou superior a cinco. O capital é dividido por ações e cada sócio limita a sua responsabilidade ao valor das ações que subscreveu. Caso os sócios iniciais não tenham capacidade (ou desejo) de subscrever a totalidade do capital, podem oferecer ao público em geral a possibilidade de adquirir ações, alargando o espetro de ‘proprietários’ da empresa. As Sociedades anónimas têm ainda de apresentar órgãos sociais específicos, como um Conselho de Administração e um Conselho Fiscal (do qual faz parte um Revisor Oficial de Contas) e o seu nome inclui sempre a sigla S.A. 

    Sociedades por quotas de responsabilidade limitada (LDA)

    É um dos vários regimes jurídicos disponíveis para quem quer iniciar uma atividade económica (Sociedade Anónima, Sociedade unipessoal por quotas ou Empresário em nome individual são outros exemplos). A Sociedade por Quotas é uma empresa constituída por dois ou mais sócios cujo capital se encontra dividido por quotas/percentagens. Ao contrário do que acontece nas Sociedades Anónimas, não há um mínimo legal para o valor do capital social, e o número de sócios pode ser inferior a cinco (embora, obviamente, não possa ser inferior a dois). A sua constituição também é menos onerosa em termos financeiros e exige menos burocracia. A título de exemplo, dispensa-se a nomeação de um órgão de fiscalização como o Conselho Fiscal. A firma tem de conter as expressões “Lda.” ou “Limitada”.

  • T

    Taxa de Mortalidade das Empresas

    A Taxa de Mortalidade das Empresas expressa o número de encerramentos de empresas que decorreram ao longo de um período, como percentagem do número de empresas ativas no período de referência. Um exemplo concreto: se existiam 1000 empresas num determinado ano t, e se ao longo desse ano foram encerradas 20 empresas, então a Taxa de Mortalidade das Empresas foi de 2% (20/1000*100=2). 

    Taxa de Natalidade das Empresas

    A Taxa de Natalidade das Empresas expressa o número de nascimentos de empresas que decorreram ao longo de um período, como percentagem do número de empresas ativas no período de referência. Um exemplo concreto: se existiam 1000 empresas num determinado ano t, e se ao longo desse ano nasceram 20 empresas, então a Taxa de Natalidade das Empresas foi de 2% (20/1000*100=2). Uma elevada Taxa de Natalidade pode indiciar dinamismo económico, ao sinalizar a confiança dos empresários.

    Taxa de Sobrevivência das Empresas

    A Taxa de Sobrevivência das Empresas revela a percentagem de empresas que existiam num determinado período que conseguiram sobreviver até ao momento atual. A Taxa pode, obviamente, ser calculada para vários períodos temporais – 1 ano, dois anos, três anos, etc. A Taxa de Sobrevivência a dois anos, por exemplo, é calculada dividindo: i) o número de empresas com pelo menos dois anos de existência; ii) pelo número total de empresas existente há dois anos. Quanto mais baixa for a Taxa de Sobrevivência, mais diferenças haverá entre o panorama empresarial atual e o panorama empresarial de há dois anos.

  • V

    Valor Acrescentado Bruto

    O Valor Acrescentado Bruto (VAB) designa o valor das vendas e prestação de serviços de uma determinada empresa, deduzida dos custos em que a própria empresa tem de incorrer para poder gerar atividade operacional. No caso de uma construtora de automóveis, por exemplo, o VAB é igual à receita obtida com a venda dos automóveis, menos as despesas feitas com a aquisição de matéria-prima (metais, por exemplo) e outros gastos correntes (eletricidade, água, etc.). Assim, esta é uma medida do valor que a empresa é capaz de gerar no mercado. O termo “Bruto” é incluído para salientar o facto de a medida de valor não incluir o desgaste do capital. Por exemplo, uma empresa que recorra a maquinaria para produzir bens de consumo incorre num custo adicional implícito, que é o desgaste das máquinas em causa. Este custo não é levado em conta no cálculo do VAB. 

    Valores da empresa

    Os valores da empresa são, de forma genérica, um conjunto de normas e princípios éticos que guiam a ação da organização. Ou, visto de outra forma, são as ‘regras morais’ que limitam aquilo que os membros da empresa – seja o Conselho de Administração, seja os trabalhadores – podem fazer para cumprir os objetivos a que se propõem. Os valores da empresa podem ser mais ou menos genéricos e ser enunciados de forma mais ou menos formal. Em todo o caso, e para que não sejam letra morta é necessário criar mecanismos internos para garantir que são devidamente internalizados por todos os trabalhadores e, portanto, que têm efeito prático na conduta diária. Há pontos de contacto entre este conceito e o de Responsabilidade Social, embora eles obviamente não se sobreponham. 

    Volume de Negócios

    O Volume de Negócios, vulgarmente designado por vendas, designa a quantia total obtida por uma determinada empresa com a venda de produtos e prestação de serviços. O valor inclui indemnizações compensatórias, mas exclui os impostos que incidem sobre os bens e serviços (por exemplo, o Imposto sobre o Valor Acrescentado – IVA). Em termos práticos, este conceito corresponde às receitas – líquidas de impostos – que as empresas conseguem obter com a sua atividade normal.

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